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À descoberta da nova NOBRAND

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Lembram-se de eu ter publicado, assim pela altura do Portugal Fashion (SS19), algo tipo: SNEAKER OF THE YEAR?

Well, decidimos não ficar pela baba e atacamos com unhas e dentes quem achamos mais interessante e que melhor nos ajudasse a mostrar o incrível que são estes kicks. São made in Portugal. São um weird híbrido de retro chunky com runner. São handmade com peles italianas. São desenhadas por um talentoso português. Mais que tudo, são um enorme corta-corrente na marca tal e como a conhecemos. E isto, foi o que mais me irrigou a curiosidade, o que mais me fez querer conhecer todo e cada detalhe conceptual e construtivo. Porque não fazia porra de sentido nenhum e yet, são incrivelmente harmónicas com toda a ética, metodologia e pensamento da marca. Ah e são fucking incríveis on feet! Já disse que são handmade in Portugal?

Pois, meus senhores e senhoras: por causa disso, visitamos a sede da NOBRAND.

“NOBRAND – There’s no brand like NOBRAND”

E até tem a sua verdade. Não que o que façam seja I+D Award Winner ou coisas foras do comum, mas desde a sua génese que definiu veemente o seu caminho, com a particularidade de tentar sobressair com ideias e métodos disruptivos. E a verdade é que conquistou o mercado Português (e algum lá fora), reinventando e redesenhando o calçado clássico português (sort of) e com as suas valências produtivas e com os costumes artesanais bem vincados, continua a criar valor e a por Portugal no mapa da produção de calçado. Quando ouvem dizer que “Portugal é igualmente bom ou melhor que Itália na produção de calçado.”, só têm de agradecer a estes senhores. Mas a piada de tudo isto, é o clusterfuck que me encheu a cabeça, quando tropeço num par que por completo me roubou a atenção (e a da lente).

Pleno Moda Lisboa, sneaker reporting e whatnots, entre kicks e aviões, estava eu a apontar a câmara a umas Chucks CDG, quando olho um bocado mais atrás e vejo um misto de chunky e runner, com uns tons taupe. E quando vejo o calcanhar, um little donut vermelho.

Wait… eu conheço isto.

Zoom na tongue. Oh shit, Era NOBRAND. Mas, mas…eles só fazem barbatanas e sapatos da pinta. Mas era. E foi a partir desse momento que, para mim, já tinha fechado o melhor par do ano.

Brogues, Chukkas, Boots. Um gajo já está habituado. Na colecção de Primavera/Verão de 2019, a história é outra. Apesar de continuar fiel aos costumes artesanais e aos modelos clássicos, a marca vai lançar uma nova silhueta sneaker. Surgiram através de inspirações em modelos retro e foram finalizadas com uma sola volumosa, fruto das últimas tendências. Obviamente não podíamos deixar passar isto. Partiram o Portugal Fashion. Partiram-me a cabeça. E já partem o Porto nos meus pés.

Eu e o meu moço demos um salto aos Head-Quarters da Marca, onde estivemos à conversa com o designer da marca, Carlos Ribeiro, que após várias tentativas, chegou ao surpreendente modelo final. Guided tour pela fábrica, falou-nos um pouco da sua vida e do seu percurso e, como não, a história por detrás dos kicks. Como coup de grace, vimos a centímetros todo o processo de fabricação, acompanhamos toda e cada pessoa que se involucrava no feito e só faltou mesmo kel lanchinho no final. Mas o Porto jogava às 20h, estava foda para todos.

 

 

Não era nada de novo para a minha vista ou mãos. Mas o meu moço ainda hoje tem a marca da baba na esquina da boca. Passou a ver aquilo com o dobro do interesse e o quádruplo da complexidade. Já eu, achei mais interessante tudo o que o Carlos nos foi contando durante a tarde.

Mas afinal, quem é este Carlos?

Carlos Ribeiro, 34 anos, footwear designer. Recém daddy babado (congrats are in order) é fruto do frio de Felgueiras. Cursou em Modelação na Academia de Design e Calçado de Felgueiras, foi participante de honra na Pensole Kicks Kamp em Guimarães (2017) e eterno amante de tudo o que possa por nos pés, desde que ele goste. “Safoda o Hype”, diz ele. Hoje é Senior Designer da NOBRAND onde eleva o Design & Development há 5 anos.

“Ganhei alguns prémios de pintura, quando era chavalo. Mas também não tem nada a ver com o design. Sou naturalmente autodidacta, quase todo o meu conhecimento parte da minha constante pesquisa e dedicação.”

 

Quisemos saber um pouco mais sobre a personagem e a sua criação. Deixo por aqui algumas das curiosidades que tivemos e que ele nos deixou que publicássemos:

Comecemos pelos básicos, de onde vem o teu gosto pelo design de calçado?

Desde sempre tive um gosto especial por desenho e pintura. Influenciado pelo meio onde cresci, levou-me a enveredar por esta profissão, que se tornou uma paixão que cresce de dia para dia. O Instagram abriu-me os olhos para técnicas, conceitos e temáticas que, ainda que desconhecidas ou novedosas, faziam todo o sentido na minha cabeça.

Estiveste na Pensole Kicks Kamp, um short course para Sneaker Designers, deu-te para abrir alguma porta ou para mudar algumas das tuas ideias pessoais?

O Kicks Kamp da Pensole foi um curso intensivo de muito pouco tempo, retirei dessa experiencial apenas o que achei que importante para facilitar o meu trabalho, como técnicas de fast draw, noções mentais de medidas e proporções e sobretudo aprendi que o Pingo Doce é key (inside joke).

Numa marca cujo nome é “sem marca”, qual é o teu papel? Qual foi o teu maior feito interno até agora?

A NOBRAND é uma marca com mais de 30 anos. Sou apenas uma pequena parte neste percurso, o meu papel é dar continuidade ao bom trabalho que já foi. Estou bastante orgulhoso do que tenho vindo a fazer, mais ainda que me tenham dado a oportunidade de elevar a marca a um novo patamar, principalmente com um produto que acredito ser notório e que sobressai.

 

Porquê arriscar e desenhar um modelo de sneakers numa marca que se foca maioritariamente no calçado casual ou mais clássico?

Se pensarmos em grandes referencias, as casas não fazem neste momento o que faziam há 10 anos. Reajustaram, adaptando as suas ideias às necessidades do mercado e às exigências da indústria da moda. A NOBRAND precisava de se inserir no mercado que hoje se auto-define como o “elemento” de diferenciação no mundo da moda. Temos a qualidade. Temos os ideais. Temos as pessoas correctas. Tudo para dar certo. Faltava o forno para transformar todos estes ingredientes num belo bolo. Em Março o bolo está aí fora. Existiu abertura da marca para se reinventar ao longo dos anos em particular nas últimas colecções. Obviamente não perdoei.

Explica-nos esta sapatilha. (Conceito, inspiração, etc etc)

Quando fazemos uma colecção, queremos sempre contar uma história, manter coerência no produto. Procuramos fazer uma escolha bastante selectiva de informação que podemos enquadrar não apenas na história da NOBRAND, mas de igual forma no que nós consideramos como tendências.

O boom da estética nos sneakers começou a ser visível nos 80s, quisemos entrar por essa linha e rapidamente me apaixonei por todo o lifestyle da época, inclusive com um casaco de pele que, apesar de simples, os apliques faziam toda a diferença. Quisemos elaborar algo que que fosse um bocado esse mundo: misturamos um upper inspirado no retro, com uma sola mais chunky proveniente das novas modas, apenas para lhe criar um contraste avassalador à vista.

 

Na tua óptica, qual é o panorama geral do mundo do design de calçado em Portugal? Há espaço para crescer?

Acho que de forma geral a proximidade da produção e o design acaba por ser castrador para jovens criadores. Tenho esperança que com o novo ciclo valorizem mais o design e a criatividade, porque potências e putos promissores não faltam. Infelizmente ainda vivemos num panorama em que qualquer fábrica de calçado se acha competente para ser marca. Pior que isso, grande parte das fábricas criou marca. Mas pecam por toda a essência (ou falta dela, neste caso) de produto. Cópias e cópias e cópias. Produzem para eles com meia dúzia de diferenças o que produzem para os seus clientes, quando não falta gente interessada em desenvolver e criar coisas boas e vendáveis. As boas notícias: estamos no fim desse panorama.

Quais são as tuas perspectivas futuras? Qual o teu maior sonho?

A curto prazo: NOBRAND no auge. A médio prazo: Um dia trabalhar para uma grande referência mundial de sneakers e que o meu puto seja um garanhão. A longo prazo: Só queria ter a colecção do blackbalaklava.

Bruv, estudasses. Sapatilhas ou ténis? 

Sapatilhas

Ananás na pizza, sim ou não?

Claro que sim!

Traidor!

Instagram: @carlosribeeirooo

Fizemos também esta pequena brincadeira às escondidas.

 

Agradecimentos:

Big up ao Vitor Costa por me mostrar isto pela primeira vez e pela simpatia. Mega props ao Berto, tanto talento numa idade tão tenra. Superaste tudo o que estava à espera. No lie. Enorme abraço ao pessoal da Sucata Recife por toda a facilidade e amabilidade. E shouts out com much love ao meu puto Carlinhos por fazer como isto fosse possível. Estás de parabéns. Já sabes o quão incrível eu acho o par. <3
E o maior obrigado à NOBRAND por fazer isto possível.

Tão filha da puta, que quando saiu do útero da mãe, deu lenha no médico. Tem sempre o que dizer e fá-lo por escrito, não com caneta e papel, mas uma faca de desossar embebida em benzeno e um Dupont. Se são alguém no mundo sneaker em Portugal, preparem-se. Se o estão a tentar ser, aprendam com ele, ou cairão nas mesmas graças.

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