Bad Bunny tomou conta da Super Bowl LX para um antecipadíssimo halftime show. Benito transportou Puerto Rico para o Levi’s Stadium, em São Francisco, numa celebração cultural de toda a latinidade, inteiramente cantada em espanhol.
O espetáculo ganhou uma dimensão política acrescida pelo clima de perseguição que a administração Trump e as milícias do ICE têm imposto à comunidade latina nos Estados Unidos, mas Benito optou por uma mensagem de união – “The only thing more powerful than hate is love” surgiu nos écrãs do estádio – no lugar do confronto.
Vestido de branco dos pés à cabeça, com “Ocasio 64” nas costas, arrancou com “De Tití Me Preguntó” e seguiu para um medley perreo dos seus maiores hits, rodeado por palmeiras e canas-de-açúcar – que eram, na verdade, pessoas vestidas de plantas, numa solução criativa para contornar as limitações de props impostas pelo estádio, e que já virou meme.
Foi um showcase do que torna Bad Bunny especial, um manifesto de autenticidade e de amor à cultura latina. Saiu da casita, foi à taquería (um restaurante verdadeiro), passou pelo Toñitas (um club caribenho em Williamsburg), oficiou um casamento (também real), piscou o olho à gasolina de Daddy Yankee, cedeu o palco a Lady Gaga (numa alusão à importância de encontrar aliados fora da comunidade) e a Ricky Martin, e colocou bailarinos em cima de postes de eletricidade para “El Apagón”, uma das suas canções mais explicitamente políticas.
A festa terminou num desfile, com uma multidão a carregar as bandeiras dos países das Américas, e um “God Bless America” que Bad Bunny não dirigia apenas aos Estados Unidos. A música de Benito não salvará sozinha todo um país, mas a sua NUEVAYoL é um mapa para abraçar a beleza das histórias de migração e reafirmar valores partilhados em comunidade – e nem é preciso falar espanhol para estar convidado.


