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Editorial

blackbalaklava – a minha çena #01

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As opiniões expressadas neste artigo são da responsabilidade do seu autor e não refletem necessariamente a opinião de contracoutura.

Toda a gente sabe a merda que somos.

Ok, se calhar comecei isto de forma um pouco abrupta, mas é a primeira crónica que escrevo aqui, queria estrear os pitons da verdade. De pés juntos. Directo ao balneário, sem direito a falar com os irmãos do footlockers.

Anyways,
Ninguém gosta dos espanhóis, right? (no offense aos Romão)
Ricky, raffles da Sivas, o SOHO, o Ricardo, o golo anulado ao Nani, o 1-0 na África do Sul, as galegas… espera, as galegas não. But you get the point.
O que importa é: eles são uma merda.
Nós também. A diferença, é que eles souberam fazer as merdas.

Uns juntaram-se e criaram um monopólio, outros foram de férias para NYC e rebentaram as poupanças e a possibilidade de… sei lá… uma casa: em velharias e restos de sapatas, outro até o avô deixava à porta de lojas 24 e 48 horas, para mamar 100 paus em resale.
Ya, são uma merda. Mas safaram-se. Souberam mexer-se. Souberam andar e safaram-se.

10+ lojas com Nike account, em Madrid. 10/10 receberam as Air Max 1 da Atmos. As duas.
10+ lojas com Adidas account, em Madrid, receberam YEEZY. Todas.
Lojas de merda. Lojas com 1 ou 2 anos. Lojas com 5m2. Lojas com empregados que mereciam lugar na Bstrong.
E têm fucking tudo.

‘Qué que temos nós?
Contam-se pelos dedos de um dedeta quantos old school temos, ok. Mas hoje, há mercado.
Não somos muitos, não temos poder económico. Ok, mas há mercado.
Não acreditamos em nós, lá fora há mais e mais barato. Ok. MAS HÁ MERCADO.
Mas mais que isso, há barriga.
‘Qué que temos nós? Barriga. E o rei nela.
“Não queremos. Não precisamos. Somos os melhores e não faz falta.” SMH.

Somos portugueses e só olhamos para os nossos umbigos.
Preferimos queimar, roubar e matar por 20-50 paus, em vez de ajudar. Preferimos pagar a seguranças de shopping para entrar mais cedo, que viver um camp. Preferimos chibar aquele que levou amigos para assinar por ele. Também por isso a “máquina” te comeu o cartão. Karma’s a bish.
Preferimos guardar stocks nas lojas, nas casas de banho, nas malas da carrinha que o papá comprou, no armazém da loja onde trabalha a amiga… para enfiar aos chinos.

Salvé Santo Chico e mano Barros pelo Love.
Aos primaços da Foot Locker pelos trintinha.
Aos irmãos de LX pelos proxies do Campera… ah, não. Acabou tudo no ebay, ya.

Mas quero eu, humildemente digo desde já, dizer com isto que, a culpa é puramente das lojas.

“Das lojas? Mas nem lojas de jeito temos!” E as que temos são uma merda.

Comecemos pela FootLocker.

Quantos empregados da FootLocker sabem a diferença entre umas Powerphase e as YEEZY Calabasas? Deixo este assunto aqui mesmo.

XTREME

Agora em tom mais sério.
Faz já quase 4 meses que surge um leak da primeira collab portuguesa: Fila Mindblower x Sneakers Delight. E ‘qué feito dela? Boa pergunta.

Muito tesão, muitas fotitas e tal. Engataram até a Queen of Kicks portuguesa para a apresentação. E mais fotos.
Laro Lagosta in da house, mais fotos.
Fotos, fotos, fotos. Guedes a dar cu e meio, até com o personal pair… e mais fotos.
Par para eles, par para ela. Par até para o Lima (go figure), mas e depois?
Nada. Literalmente nada.

Cá estamos, meia dúzia de pintelhos esperançosos pelo release. Mas nada. Nem sequer uma palavra do dono. Ou do filho, já que a Sneakers Delight era, supposedly, um projecto baby dele.

A Crep Protect mete cá os espanhóis.
A WrongWeather mete cá os designers.
Até as YEEZY meteram o Algarve a fazer 1500km, até à Invicta.
Mas aquele gajo não consegue fazer o drop da primeira merda boa, e boa com todas as letras, que fizemos por cá? A mau fodedor, até os colhões atrapalham.

Provavelmente a loja com mais qualidade sneaker em Portugal, tanto espaço para andar e fazer as merdas… mas vender AF1s e Stan Smith é mais interessante. E não andamos.

E é por estas e por outras que, mais tarde ou mais cedo, o Guedes vai ganhar asas. A cavalo selvagem não se mete palas. E toda a gente sabe que é ele que leva a Xtreme às costas, dentro do nosso mundo. Still, zero reward.
Mas isto é assunto para outro dia.

Mudemos de loja: bae.

De longe, a loja mais bonita que temos. Interior incrível, com um toque bastante apreciável: o vault (kudos ao Tiago).

E ambas as lojas são fantásticas ao olho. Mais que isso, reforçaram o staff com qualidade (q.b. diga-se) e até investiram na imagem social com o Vargas (big up), que têm, com isto e finalmente, mostrado em Portugal ser uma promessa e uma futura referência. Look it up, a quem não conhece.

Mas tudo isto faz imaginar uma loja com uma aposta promissora no produto, com novidades e qualidades, right? Wrong.
Entras na loja, cai-te o queixo de tão bela. E tão rapidamente o voltas a recolher ao ver que, quase à letra, tem a mesma merda que os outros.

P.S.: Têm collabs com a Diadora e LeCoq Sportif, já fazem melhor figura que a Xtreme, tho.

Mais que isso, não há coerência.
Sneaker boutique, sem dúvida, com uns toques de Lux, Classic e Heritage. Algo modernita e tal. Mas é uma loja que inaugura no Porto… com colecções com 1, 2, 3 estações antigas. Ffs.

Tens Diadora Made in Italy e tens Adidas PODs. Tens WoodWood e tens Eastpack x Undercover. Tens Reebok Classics e New Balance Made In USA.
E, assim lido, até parece tudo bem; mas junta tudo. Junta Gel Mais, Pureboosts e Fila Ray. Junta também Filling Pieces, Monokel, Puma Fenty e junta La Paz.
Puta de salgalhada.
E, claro, não podia faltar o entulho da Arkk. Sigh.

Tanta definição como concept store. Zero definição no produto.
Talvez explique os 15 pares vendidos no primeiro mês. Oh Well.

Seguimos: Impasse & Impasse 2.0 (aka Latte)

Para já, a Impasse Shop.
Primeira sneaker shop by sneakerheads, for sneakerheads.
Jogada segura em best sellers e produto comercial, apostas em novas marcas em Portugal (conhecidas) tipo by Parra, Raised by Wolves, Fucking Awesome. Staff correcto, decor adequada e interessante (remember ASICS corner), localização aceitável (discutível). Amigos ideais, kel boca-a-boca imprescindível.

Tinha tudo para dar certo. Porque não deu?
Tema para outro dia. Mas a verdade é que, desde a inauguração, a Impasse foi-se apagando e desfalecendo.

Mais ainda na sombra ficou após a Latte, também conhecida por Impasse 2.0.
E é-o sem dúvida: mesmo estilo de produto, mesmo tipo de staff, mesma preponderância. Mas o staff é mais interessado (e interessante), a escolha de produto é mais cuidada, a decor é 10x melhor e mais agradável, o marketing e a social media é 100 para zero. E zero, literalmente, porque a Impasse prescindiu disso.
E os amigos são bastante mais importantes, de um ponto de vista comercial.

Rio-me cada vez que escrevo “amigos”, falando destas duas lojas dado… bem, ao que se tem sucedido. Mas não vou entrar por aí. If you know, you know.

Mas é engraçado, também, que o que uma tem, na outra é lacuna. E vice-versa. Principalmente a ganância e a vontade de crescer da Impasse é o maior Aquiles da Latte.
Mas marquem o que eu digo e you heard it first aqui: a Latte vai ser a maior referência sneaker em Portugal. Just watch.

Big love ao mano Afonso, nonetheless.

Não deixa, porém, de ser mais dois maus exemplos e que demonstram zero interesse em puxar por nós, Sneakers Love Portugal. Mas a Latte ainda é uma criança, pode ser que.

Moving on (e esta vai ser divertida): WrongWeather.

Taaaaaaanto que escrever sobre esta loja.
Mas se querem saber coisas, quero umas YEEZY primeiro. Get it?

Voltando ao tema.
A WrongWeather é e sempre foi o patinho feio, entre nós. Zero acknowledgement pelo que têm e são, zero valor por serem, actualmente, a melhor loja nacional. E ao mesmo tempo a pior loja nacional.
Em parte, todos sabemos um pouco o porquê da segunda parte, mas uma vez mais: tema para outro dia (ou venham umas 350v2 Bred US7.5).

Foi interessante, de todas as formas, ver o nascimento da WrongWeather Life. Mais ainda o declínio e lenta morte desde o primeiro dia, desde a inauguração. Era uma boa loja, algum renome internacional, excelente carteira de clientes e sobretudo, uma oferta bastante fora do comum.
Um dia, lembraram-se de explorar o mercado mid-end, Numa loja onde os kicks mais baratos eram umas Y-3 de 250€, de repente querem vender NMDs e Superstars… mas já cá voltamos.

Curioso que, ao mesmo tempo da concepção da WrongWeather Life, cresce um promissor projecto que jurava vingar o panorama português: a famosa (e infame) 4100.
A quem não sabe ou não ouviu falar, também não vou explicar. Fuck you, façam o vosso field work.

Mas a 4100 era um projecto bastante poderoso que era conduzido por 3 potências nacionais, cada um expoente no seu sector. Com ideias super definidas, com aquele know-how que mais ninguém tem, não pelo menos em conjunto. Mas como todos, tinham a maior dificuldade de todas, a falta de poder económico e de apoio financeiro.

O que importa é que, estes senhores foram à WrongWeather em busca de parceria.
Parecia interessante: eles tinham o capital, os contactos, o interesse. Mas não. A 4100 acaba humilhada e enxovalhada para, meses depois, abrir a WrongWeather Life, já antes concebida, mas com interesses adoptados dos seus ideais.
Como nem tudo é mau, os três artistas continuaram as suas vidas e viram a WrongWeather Life crescer, ou não. Viram apostas erradas, marketing errado, funcionamento e gestão erradas. Tudo errado.
Tudo o que aquilo poderia ser com a 4100, não aconteceu.

Quiseram mostrar que podiam e sabiam, sozinhos. Que vingariam facilmente, because, afinal de contas, estamos a falar da melhor loja do país. E eles podem. Fazem. Mandam.

Agora é a sala de saldos da WrongWeather. Oh well.

Alegremente, a moral da loja não baixou. Seguiram como se nada fosse (e na verdade nada foi, porque acho que só duas mãos de pessoas se aperceberam daquilo) e decidiram apostar, uma vez mais, no caro, em marcas mais comerciais. Mortas, mas comerciais. Heron Preston, Stone Island, A-Cold-Wall*, blá blá blá. Same old. Já só faltava Gosha.

 

Não quero, com isto, espicaçar as lojas ou envergar sequer uma atitude crítica e negativa… mentira, quero sim.
Mas o intuito é fazer compreender que: a culpa de nós, comunidade sneaker portuguesa, sermos uma merda, é das lojas. Maioritariamente. Mas das lojas, de quem as gere, de quem lá trabalha.

NÃO existe espírito de comunidade.
NÃO existe sentido de crescimento dentro de Portugal.
NÃO existe um esforço de tentar fazer mais e melhor.
Existem cheques, notas e umbigos.

Enquanto assim for, continuaremos a ser aquele país que não recebe merda nenhuma. Tristemente.
Capital do Turismo. Merda de oferta. Zero cultura.

Esta é a minha çena.
Qual é a vossa?

‘Lotta love,
@blackbalaklava

 

Tão filha da puta, que quando saiu do útero da mãe, deu lenha no médico. Tem sempre o que dizer e fá-lo por escrito, não com caneta e papel, mas uma faca de desossar embebida em benzeno e um Dupont. Se são alguém no mundo sneaker em Portugal, preparem-se. Se o estão a tentar ser, aprendam com ele, ou cairão nas mesmas graças.

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